Afinal o que é Design?
27 março, 2009 – 1:18 am | by www.RaphaelGarcez.comHoje em dia vimos e ouvimos milhares de definições falando sobre o que é design, cada um fala uma coisa e no final nunca se chega a uma conclusão sólida sobre o assunto.
Lendo um artigo da Adélia Borges achei uma definição “perfeita” sobre design. (Não sei se a definição é de autoria dela)
“Design é a única maneira de buscar e expressar o diferencial de qualidade dos produtos e serviços num mercado cada vez mais competitivo e mais “igual”. Não é uma maquiagem superficial, nem um enfeite que se acrescenta quando o produto está pronto, o chantilly ou a cereja em cima do bolo. Design tem a ver com o bolo todo: a farinha que será usada, o jeito de juntar e mexer os ingredientes, o tempo e a temperatura do forno, o sabor, quantos e quais recheios serão usados, e como ele será montado e decorado ao final. É, portanto, um processo de concepção integral dos produtos.”
Gosto de dar um foco especial neste trecho: “… Não é uma maquiagem superficial, nem um enfeite que se acrescenta quando o produto está pronto, o chantilly ou a cereja em cima do bolo…”
Pois é o que realmente a maioria da população hoje pensa (inclusive designers), que design é somente a “maquiagem”, ou seja, somente o superficial a beleza em si.
Outras definições nas quais acho muito relevante apesar de talvez meio radical, é da grande designer gráfica Moema Cavalcanti. Moema odeia ser chamada de designer gráfica, para ela, essa denominação lembra personal trainer, “um termo da moda, em inglês para parecer muderno”. Por isso, prefere um modesto “capista”, já que seu principal campo de atuação é o projeto de capas de livros.
A palavra design se disseminou muito recentemente e, na maioria das vezes, é empregada com um significado reducionista, que a associa a coisas caras, frescas e com um “visual arrojado”. Por conta desse adjetivo, usado a torto e a direito, a atividade é entendida como associada a um estilo de móveis ou objetos, o “estilo design”, em oposição a um “estilo clássico”, provençal ou country.
A diferenciação é necessária. A habilidade dos profissionais da área vai muito além do mero ato de desenhar. Os designers de produto têm que adaptar suas idéias aos métodos produtivos existentes, levando em conta aquilo que as indústrias estão ou não aparelhadas a fazer; têm que analisar se os produtos cumprem sua função da melhor maneira possível; têm que examinar se são fáceis de manusear ou operar; e, por último, mas não menos importante, se são bonitos. Seu trabalho consiste em imaginar, criar e encontrar meios de construir novos objetos que sirvam ao ser humano. Mudando o raio de atuação, a definição vale também para os designers gráficos (que projetam identidade visual, embalagens, livros, sites etc.) e para aqueles que projetam ambientes, conhecidos como designers de interiores.
“No vocabulário da maioria das pessoas, design significa aparência. É o tecido da cortina, é o sofá. Para mim, design é a alma de tudo o que o homem cria e que acaba se manifestando nas sucessivas camadas exteriores de um produto ou um serviço. O iMac é mais do que a cor, a transparência ou o formato de sua carcaça. A essência do iMac é ser o melhor computador pessoal possível no qual haja uma total interação entre seus elementos.”
Se é ou não o melhor, não é o caso de discutir aqui, mas inegavelmente o iMac tirou a Apple da ribanceira em que estava antes de seu lançamento. Há inúmeros outros exemplos mostrando que bom design é bom negócio. E não apenas o design de produtos. Os casos da Coca Cola e do Marlboro, cujas marcas valem mais do que o patrimônio das companhias que os produzem, dão a dimensão da importância da identidade visual para o sucesso de uma empresa.
Se para os empresários o bom design faz soar a caixa registradora, para o país ele pode representar uma alavanca do desenvolvimento socioeconômico; e, para o consumidor, freqüentemente resulta numa melhoria da qualidade de vida. Por todas essas implicações, design é uma atividade multidisciplinar, ligada à tecnologia, à estética e ao marketing.
Não é meramente um desenho. Moema, por exemplo, nem sabe desenhar, mas é mestre na composição de capas de livros que aumentam as vendas das editoras e o prazer dos leitores. É designer, na melhor acepção da palavra.
Para quem quiser saber mais do assunto recomendo o livro “Designer não é personal trainer e outros escritos”.
Bibliografia:
- “Designer não é personal trainer e outros escritos” (Editora Rosari, 2002).
- Artigo do jornal Gazeta Mercantil – Abril 2000 por Adélia Borges
- www.designbrasil.org.br
Raphael Garcez
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2 Responses to “Afinal o que é Design?”
By Mariza on mar 27, 2009 | Reply
Parabéns por suas colocações. Elas estão claras e objetivas. Deu para clarear bem o conceito e desmistificar a profissão.
Abraços
By Henrique Hermeto on abr 16, 2009 | Reply
Concordo com Mariza. Parabéns pelo artigo. Esse “rapaz” vai longe! abr.