Protegido de ruídos e calor
segunda-feira, junho 1st, 2009Era para ter alto padrão e se destacar pela estética diferenciada. Assim, o Residencial João Eduardo Moritz ganhou fachada pele de vidro, varandas escalonadas em balanço e revestimento de painéis de alumínio composto (ACM), amplamente aplicados em obras comerciais, mas pouco utilizados nas habitacionais. O edifício tem 12 andares – cada um deles com um apartamento de cerca de 340 metros quadrados – e volta-se para a área litorânea central de Florianópolis.
Na fachada frontal, uma moldura diagonal em granito verde traça uma linha divisória entre a porção envidraçada e as sacadas, evidenciando a diferença de plantas – na base do edifício, a pele de vidro que fecha o living é maior, reduzindo-se sua largura à medida que avança para os andares mais altos; nesse sentido, inversamente, o tamanho das varandas aumenta e o living perde espaço. Outro detalhe da face frontal: do sétimo ao nono andar, os guarda-corpos, revestidos com painéis de alumínio composto, foram prolongados para alterar o ritmo dos terraços. A mesma solução foi aplicada na parte posterior, onde ficam as sacadas das suítes masters, cujos closets ganharam janelas circulares de 80 centímetros de diâmetro, que fazem uma prumada na fachada lateral.

Aberturas circulares se repetem na cobertura do prédio, nas áreas correspondentes ao salão de festas e à escada que leva ao apartamento dúplex. Construído com estrutura metálica, o salão de festas tem ampla varanda, com guarda-corpos de aço inoxidável polido e vidro refletivo verde. O arquiteto Evandro Gaspar destaca esse ático como uma quinta fachada. “Um edifício precisa ser elaborado plasticamente em todas as suas superfícies, incluindo a cobertura, que é o seu coroamento”, explica.
Redução de ruídos
“Nas primeiras reuniões técnicas já ficou evidente a diferenciação do projeto, pois o arquiteto propunha que a vista fosse o mais limpa possível, através do envidraçamento, mas sem descuidar do conforto ambiental nos apartamentos”, observa Alexandre de Souza, gerente técnico da Lohn Esquadrias. Além de exposto ao calor, o prédio encontra-se em região onde o barulho causado por veículos é intenso. “Em parceria com técnicos da Glassec, fornecedora dos vidros, resolvemos utilizar nas fachadas frontais, onde fica a sala de estar e há maior incidência de luz solar, o vidro insulado com PVB acústico em conjunto com um polímero, para preencher os perfis tubulares, usados para atenuar o som”, explica Souza. O mesmo polímero foi aplicado na laje entre os andares, para reduzir o ruído entre unidades vizinhas. “Faltava definir a estrutura que permitisse um visual limpo. Então resolvemos utilizar o maior quadro possível, sem perfis na horizontal”, revela Souza. De acordo com os cálculos de aproveitamento da chapa e de pressão suportada pelo vidro, obteve-se a modulação de 1,20 x 3 metros, com travessas apenas na frente das lajes.
Vidros duplos
Materiais como vidro laminado, painéis de ACM e esquadrias de PVC foram escolhidos para conferir um ar contemporâneo à edificação. Placas de vidro verde foram aplicadas nos guarda-corpos das sacadas e nos fechamentos em pele de vidro. Voltada para a rua, a fachada structural glazing do living ganhou composição especial para manter o isolamento termoacústico do ambiente, com vidros duplos insulados de 28 milímetros.
As outras esquadrias receberam laminado de oito milímetros, todos na composição de uma lâmina de reflecta float verde mais uma de float incolor. Como o edifício tem desenho assimétrico, com ângulos inclinados na fachada frontal esquerda, os quadros de vidro ganharam recortes nas colunas, criados a partir do uso de gabaritos especiais. Nas faces lateral esquerda, frontal e posterior as projeções dos guarda-corpos revestidos com painel de alumínio composto invadem o vão da fachada, originando diferentes tipos de recortes nos vidros. Esses detalhes dificultaram a montagem da estrutura, devido às exigências de vedação e estanqueidade. Para a fixação das ancoragens foram utilizados chumbadores químicos e barras rosqueadas de 3/8’’ com nove centímetros de comprimento em algumas e 12 centímetros em outras, de acordo com a especificação técnica.
Para a caixilharia foram utilizados dois tipos de material. Quartos e banheiros ganharam esquadrias de PVC, incluindo as portas de correr voltadas para a fachada frontal, em duas cores: internamente receberam uma lâmina na cor branca e externamente em cinzaescuro, para não contrastar. Acoplados a estas e nas demais faces foram empregados caixilhos de alumínio da linha Atlanta II, da Belmetal, com sistema glazing de vidros colados. As esquadrias de PVC são termoacústicas e nos dormitórios contam com persiana integrada.

Alumínio composto
Os guarda-corpos das varandas foram revestidos com painéis de alumínio composto, material também aplicado na marquise de acesso ao hall e no elemento curvo que coroa o edifício. Com pintura prata brilhante, as chapas têm dimensões de 1.270 x 4.978 e 1.575 x 4.978 milímetros, totalizando 954 metros quadrados de área revestida. Segundo Vlademir Rosa, diretor da Alumitec, responsável pela instalação dos painéis de ACM, o ajuste do alinhamento das sacadas foi um dos desafios nessa etapa da obra. Na face frontal, por exemplo, há uma projeção de viga no terceiro, no quarto, no sétimo e no oitavo andares. Para se obter a mesma largura na viga, quando observada por baixo, “foi necessário aumentar a espessura do revestimento nos andares onde a sacada não tinha esse detalhe”, explica Vlademir.
Toda a ancoragem deu-se com perfis de alumínio tubular retangular, fixados diretamente no concreto. Na fachada frontal utilizou-se ancoragem em perfis de alumínio modulados através de solda, dando o formato exato para o revestimento que se sobrepôs. Parte da usinagem das chapas de ACM foi feita na Alumitec e as que necessitavam de ajuste foram trabalhadas no local, sempre empregando o mesmo ferramental, para não haver diferença nas dobras do revestimento. Este tem rejunte de silicone neutro, na cor alumínio, aumentando a percepção de planicidade das superfícies.
As juntas entre os módulos do revestimento são do tipo seca, unindo as chapas entre si e tornando o acabamento mais perfeito. Na lateral, onde há uma grande fachada glazing, foi necessário ter todos os vidros instalados para que o revestimento desse o acabamento, utilizando adesivo estrutural para unir as chapas de ACM aos laminados.
No sobreático do edifício, a Alumitec implantou uma cobertura de aço, revestida posteriormente com alumínio composto. “A construção desse elemento foi um grande desafio em função do acesso ao local e do grau de dificuldade. Para isso foram utilizados andaimes e plataformas de trabalho com elevado nível de segurança”, afirma Vlademir.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 348 Fevereiro de 2009















