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quarta-feira, agosto 12th, 2009












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Os restaurantes para funcionários do Ceic, complexo bancário localizado na zona sul de São Paulo, atravessaram quase duas décadas sem alterações importantes. Tinham, portanto, praticamente a mesma idade das primeiras torres do conjunto, que foram inauguradas na metade dos anos 1980. Havia dois espaços distintos, para funcionários mais graduados e para o restante do staff. Em 2007, Lucia Ravache foi contratada para criar um novo layout, abolindo as distinções hierárquicas. No primeiro semestre de 2008 o trabalho foi concluído.

Tão relevante quanto atender a públicos internos de níveis distintos era equacionar os fluxos de pessoas e da comida. O projeto deveria também empregar materiais de fácil manutenção. Ao mesmo tempo, pretendia-se que o espaço fosse atraente para os usuários, já que eles “vão almoçar quase todos os dias nesse mesmo lugar”, pondera a autora do trabalho. Além da comida, em restaurantes convencionais os clientes são induzidos a frequentar o local pela qualidade e conforto de seus ambientes. Aparentemente, o trabalho desenvolvido por Lucia foi eficiente nesses quesitos, obtendo a interação de funcionalidade e elegância.

Os salões ocupam parte do embasamento de duas torres. Os do pavimento superior, denominado piso Metrô (o conjunto empresarial está integrado à estação metroviária), podem atender até 400 pessoas; os do andar térreo (piso Terraço) comportam 800 usuários. Os dois níveis se comunicam por escada interna.

A amplitude permitiu à arquiteta e a sua equipe compor diferentes ambiências. Nos salões Manacá e Ipê, no piso superior, Lucia especificou, no piso, pastilhas de vidro em tom claro na área de refeição e visual multicolorido (“uma explosão de cores”, segundo ela) na parte que concentra as ilhas de comida. Nas mesas de refeições predominam tonalidades escuras, mas a inserção de peças de cores intensas rompe com a monocromia e compõe uma atmosfera mais descontraída. Um painel de desenho geométrico negro percorre a lateral do espaço.

Com maior dimensão (são 1,4 mil metros quadrados contra 800), o pavimento inferior, onde estão os salões Paineira e Jatobá, permitiu à projetista trabalhar a área de distribuição. Ali, graças ao pé-direito mais generoso (na conexão entre duas torres), o desenho de forro ganha maior elaboração, alternando planos densos com outros mais leves – um ripado com as lâminas de madeira penduradas pela parte mais delgada, à semelhança de coberturas pergoladas. Sobre as ilhas de comida, imensas luminárias dão um aspecto diferenciado ao local. O piso dos salões é de cerâmica de grande formato.

Nas laterais, um dos salões tem a superfície revestida com tijolo aparente (sem acabamento) e o outro recebeu revestimento de madeira, formando um painel. Em razão da localização, as áreas dos restaurantes não permitiram à autora aproveitar a luz natural, elemento que ela sempre procura explorar em suas intervenções. Por isso, Lucia recorreu às soluções de iluminação artificial para criar a atmosfera interna.
A autora destaca ainda, como aspecto positivo no trabalho, a sintonia e a cooperação entre os diversos profissionais e equipes.
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A mostra reúne trabalhos da área editorial, cartazes e ilustrações criados por Rico Lins ao longo de mais de 30 anos de carreira. Eles são representativos da situação fronteiriça em que o design gráfico do autor se encontra em relação a outros campos visuais, como o das artes plásticas, um dos mais importantes em seu espectro de influências e inspirações. Essa é a origem da expressão “gráfica de fronteira”, utilizada pelo curador Agnaldo Farias no nome da exposição.

Lins desenvolve trabalhos para importantes periódicos brasileiros e mundiais, como a revista norte-americana Time e a publicação acadêmica alemã Kultur Revolution, além de projetos de marcas, comunicação institucional, ilustração e tipografia. Em comum, eles derivam de um processo não linear de concepção, que busca adicionar conteúdo, significados, a partir do estabelecimento do que o designer denomina espaço inclusivo. “Procuro abrir caminho para que o interlocutor colabore com sua própria interpretação”, explica Lins.


Isso muitas vezes deriva da adoção de imagens fortes, de ícones de massa. Numa das capas da Kultur Revolution, por exemplo, a figura da banana foi manipulada como símbolo do tema do exotismo dos trópicos. A peça parte do cartaz do filme Banana is my business (1995), de Helena Solberg, sobre a carreira de Carmen Miranda, suprimindo o rosto da artista, os adornos exagerados que eram típicos da cantora e a definição de fundo, de modo a enfatizar um sorriso desajeitado e os olhos na forma da fruta.
A reapropriação de significados, assim, é um traço criativo que percorre todos os ambientes e trabalhos da mostra, organizada em três camadas simultâneas de comunicação com o visitante. O banner contínuo narra a particularidade de o design gráfico ser a um só tempo efêmero e permanente, ou seja, tanto fruto de situações específicas de projeto quanto registros culturais e intercambiáveis de determinada época ou segmento social.

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A premiação especial faz referência não só aos projetos da Cosac Naify que conquistaram a primeira e a terceira colocações (não houve segundo lugar) na categoria editorial, uma das mais disputadas do evento, mas sobretudo à importância que o design adquiriu na dinâmica da empresa. A maior parte dos livros tem design concebido pela equipe interna. E, em média, metade de seus lançamentos mensais recebem projetos não padronizados, que estabelecem o “corpo a corpo direto com a editoria, pesquisas e textos de cada publicação”, assinala a diretora de arte, Elaine Ramos.
A coleção Moda brasileira, vencedora na categoria editorial, está em sua segunda versão e é representativa do processo de concepção da identidade visual dos livros da Cosac Naify. Ela narra a trajetória e o processo criativo de renomados estilistas brasileiros. E, dada a diversidade de inspirações, linguagens e particularidades de cada profissional, tem como princípio conceitual gráfico a máxima liberdade na parte interna dos livros.

Assim, a exposição de fotografias de desfiles, de tecidos ou de acessórios alterna-se com a utilização de referências iconográficas e esboços, entre outros, relacionados ao processo de desenvolvimento de cada criador de moda. Externamente, contudo, estabelecem-se elementos de marcante identidade visual, sobretudo a lombada com espinha exposta, a capa dobrada sobre si mesma e a existência de sobrecapa composta por dobraduras e faixa horizontal.

A sétima edição do prêmio contou com 565 trabalhos inscritos. Apesar da grande soma em dinheiro oferecida para os três primeiros colocados em cada categoria, foi bastante irregular o desempenho entre as cinco modalidades. A categoria editorial foi o grande destaque. Em embalagem não houve premiados.


A categoria miscelânea conferiu prêmio máximo à coleção de selos criados pela gravurista Heloísa Etelvina para a loja do museu de arte de Inhotim, de Minas Gerais; o segundo e o terceiro lugares couberam, respectivamente, a Miya Série[k*]! (programação visual da marca de roupas Miya), de Larissa Miyazato, e Livro de linguagem Fleury, de Zeuner Fraissat.

Também a categoria promocional não teve vencedor. A embalagem de chá Chinese Tea Box, de Carlo Giovani Estúdio, e as peças Kimi Nii – Japão, de Ruth Klotzel, receberam respectivamente o segundo e o terceiro prêmios. E a modalidade estudantes premiou o projeto acadêmico da revista Kapta, de Rafael Aguiar (primeiro lugar); o redesign da revista Cult, de Miguel Nóbrega e Natalia Nabekura (segundo); e o livro O cavaleiro inexistente, uma tradução intersemiótica, de Amanda Coimbra (terceiro).
O corpo de jurados do 7º Prêmio Max Feffer de Design Gráfico foi composto por Chico Homem de Melo, João de Souza Leite, Kiko Farkas, Rafik Farah, Rico Lins e pela canadense Marian Bantjes.
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