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Archive for the ‘Design gráfico’ Category

Banner monumental reúne trabalhos de várias áreas de atuação

quarta-feira, maio 20th, 2009
Banner monumental reúne trabalhos de várias áreas de atuação
Um monumental banner de 1,5 metro de largura e 40 metros de comprimento orienta o visitante em seu percurso pela exposição Rico Lins: Uma Gráfica de Fronteira, que esteve em cartaz no início do ano na Caixa Cultural do Rio de Janeiro e, em maio próximo, desembarcará no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

A mostra reúne trabalhos da área editorial, cartazes e ilustrações criados por Rico Lins ao longo de mais de 30 anos de carreira. Eles são representativos da situação fronteiriça em que o design gráfico do autor se encontra em relação a outros campos visuais, como o das artes plásticas, um dos mais importantes em seu espectro de influências e inspirações. Essa é a origem da expressão “gráfica de fronteira”, utilizada pelo curador Agnaldo Farias no nome da exposição.

Lins desenvolve trabalhos para importantes periódicos brasileiros e mundiais, como a revista norte-americana Time e a publicação acadêmica alemã Kultur Revolution, além de projetos de marcas, comunicação institucional, ilustração e tipografia. Em comum, eles derivam de um processo não linear de concepção, que busca adicionar conteúdo, significados, a partir do estabelecimento do que o designer denomina espaço inclusivo. “Procuro abrir caminho para que o interlocutor colabore com sua própria interpretação”, explica Lins.

Isso muitas vezes deriva da adoção de imagens fortes, de ícones de massa. Numa das capas da Kultur Revolution, por exemplo, a figura da banana foi manipulada como símbolo do tema do exotismo dos trópicos. A peça parte do cartaz do filme Banana is my business (1995), de Helena Solberg, sobre a carreira de Carmen Miranda, suprimindo o rosto da artista, os adornos exagerados que eram típicos da cantora e a definição de fundo, de modo a enfatizar um sorriso desajeitado e os olhos na forma da fruta.

A reapropriação de significados, assim, é um traço criativo que percorre todos os ambientes e trabalhos da mostra, organizada em três camadas simultâneas de comunicação com o visitante. O banner contínuo narra a particularidade de o design gráfico ser a um só tempo efêmero e permanente, ou seja, tanto fruto de situações específicas de projeto quanto registros culturais e intercambiáveis de determinada época ou segmento social.

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Prêmio Max Feffer de Design Gráfico

domingo, maio 10th, 2009
Os dez prêmios recebidos pela Cosac Naify na sétima edição do Prêmio Max Feffer de Design Gráfico apontam o contínuo investimento da editora em design. Sua equipe de designers e produtores gráficos, liderados pela arquiteta e diretora de arte Elaine Ramos, tem na bagagem a criação de coleções e livros avulsos caracterizados pelo primor técnico, criatividade visual, coesão com o conceito editorial e acabamento refinado. Foi nesses termos que o júri e o curador do certame, o designer Ronald Kapaz, concederam à empresa a láurea Destaque do Ano.

A premiação especial faz referência não só aos projetos da Cosac Naify que conquistaram a primeira e a terceira colocações (não houve segundo lugar) na categoria editorial, uma das mais disputadas do evento, mas sobretudo à importância que o design adquiriu na dinâmica da empresa. A maior parte dos livros tem design concebido pela equipe interna. E, em média, metade de seus lançamentos mensais recebem projetos não padronizados, que estabelecem o “corpo a corpo direto com a editoria, pesquisas e textos de cada publicação”, assinala a diretora de arte, Elaine Ramos.

A coleção Moda brasileira, vencedora na categoria editorial, está em sua segunda versão e é representativa do processo de concepção da identidade visual dos livros da Cosac Naify. Ela narra a trajetória e o processo criativo de renomados estilistas brasileiros. E, dada a diversidade de inspirações, linguagens e particularidades de cada profissional, tem como princípio conceitual gráfico a máxima liberdade na parte interna dos livros.

Assim, a exposição de fotografias de desfiles, de tecidos ou de acessórios alterna-se com a utilização de referências iconográficas e esboços, entre outros, relacionados ao processo de desenvolvimento de cada criador de moda. Externamente, contudo, estabelecem-se elementos de marcante identidade visual, sobretudo a lombada com espinha exposta, a capa dobrada sobre si mesma e a existência de sobrecapa composta por dobraduras e faixa horizontal.

A sétima edição do prêmio contou com 565 trabalhos inscritos. Apesar da grande soma em dinheiro oferecida para os três primeiros colocados em cada categoria, foi bastante irregular o desempenho entre as cinco modalidades. A categoria editorial foi o grande destaque. Em embalagem não houve premiados.

A categoria miscelânea conferiu prêmio máximo à coleção de selos criados pela gravurista Heloísa Etelvina para a loja do museu de arte de Inhotim, de Minas Gerais; o segundo e o terceiro lugares couberam, respectivamente, a Miya Série[k*]! (programação visual da marca de roupas Miya), de Larissa Miyazato, e Livro de linguagem Fleury, de Zeuner Fraissat.

Também a categoria promocional não teve vencedor. A embalagem de chá Chinese Tea Box, de Carlo Giovani Estúdio, e as peças Kimi Nii – Japão, de Ruth Klotzel, receberam respectivamente o segundo e o terceiro prêmios. E a modalidade estudantes premiou o projeto acadêmico da revista Kapta, de Rafael Aguiar (primeiro lugar); o redesign da revista Cult, de Miguel Nóbrega e Natalia Nabekura (segundo); e o livro O cavaleiro inexistente, uma tradução intersemiótica, de Amanda Coimbra (terceiro).

O corpo de jurados do 7º Prêmio Max Feffer de Design Gráfico foi composto por Chico Homem de Melo, João de Souza Leite, Kiko Farkas, Rafik Farah, Rico Lins e pela canadense Marian Bantjes.

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Afinal o que é Design?

sexta-feira, março 27th, 2009

Hoje em dia vimos e ouvimos milhares de definições falando sobre o que é design, cada um fala uma coisa e no final nunca se chega a uma conclusão sólida sobre o assunto.

Lendo um artigo da Adélia Borges achei uma definição “perfeita” sobre design. (Não sei se a definição é de autoria dela)

“Design é a única maneira de buscar e expressar o diferencial de qualidade dos produtos e serviços num mercado cada vez mais competitivo e mais “igual”. Não é uma maquiagem superficial, nem um enfeite que se acrescenta quando o produto está pronto, o chantilly ou a cereja em cima do bolo. Design tem a ver com o bolo todo: a farinha que será usada, o jeito de juntar e mexer os ingredientes, o tempo e a temperatura do forno, o sabor, quantos e quais recheios serão usados, e como ele será montado e decorado ao final. É, portanto, um processo de concepção integral dos produtos.”

Gosto de dar um foco especial neste trecho: “… Não é uma maquiagem superficial, nem um enfeite que se acrescenta quando o produto está pronto, o chantilly ou a cereja em cima do bolo…”

Pois é o que realmente a maioria da população hoje pensa (inclusive designers), que design é somente a “maquiagem”, ou seja, somente o superficial a beleza em si.

Outras definições nas quais acho muito relevante apesar de talvez meio radical, é da grande designer gráfica Moema Cavalcanti. Moema odeia ser chamada de designer gráfica, para ela, essa denominação lembra personal trainer, “um termo da moda, em inglês para parecer muderno”. Por isso, prefere um modesto “capista”, já que seu principal campo de atuação é o projeto de capas de livros.

A palavra design se disseminou muito recentemente e, na maioria das vezes, é empregada com um significado reducionista, que a associa a coisas caras, frescas e com um “visual arrojado”. Por conta desse adjetivo, usado a torto e a direito, a atividade é entendida como associada a um estilo de móveis ou objetos, o “estilo design”, em oposição a um “estilo clássico”, provençal ou country.

A diferenciação é necessária. A habilidade dos profissionais da área vai muito além do mero ato de desenhar. Os designers de produto têm que adaptar suas idéias aos métodos produtivos existentes, levando em conta aquilo que as indústrias estão ou não aparelhadas a fazer; têm que analisar se os produtos cumprem sua função da melhor maneira possível; têm que examinar se são fáceis de manusear ou operar; e, por último, mas não menos importante, se são bonitos. Seu trabalho consiste em imaginar, criar e encontrar meios de construir novos objetos que sirvam ao ser humano. Mudando o raio de atuação, a definição vale também para os designers gráficos (que projetam identidade visual, embalagens, livros, sites etc.) e para aqueles que projetam ambientes, conhecidos como designers de interiores.

“No vocabulário da maioria das pessoas, design significa aparência. É o tecido da cortina, é o sofá. Para mim, design é a alma de tudo o que o homem cria e que acaba se manifestando nas sucessivas camadas exteriores de um produto ou um serviço. O iMac é mais do que a cor, a transparência ou o formato de sua carcaça. A essência do iMac é ser o melhor computador pessoal possível no qual haja uma total interação entre seus elementos.”

Se é ou não o melhor, não é o caso de discutir aqui, mas inegavelmente o iMac tirou a Apple da ribanceira em que estava antes de seu lançamento. Há inúmeros outros exemplos mostrando que bom design é bom negócio. E não apenas o design de produtos. Os casos da Coca Cola e do Marlboro, cujas marcas valem mais do que o patrimônio das companhias que os produzem, dão a dimensão da importância da identidade visual para o sucesso de uma empresa.

Se para os empresários o bom design faz soar a caixa registradora, para o país ele pode representar uma alavanca do desenvolvimento socioeconômico; e, para o consumidor, freqüentemente resulta numa melhoria da qualidade de vida. Por todas essas implicações, design é uma atividade multidisciplinar, ligada à tecnologia, à estética e ao marketing.

Não é meramente um desenho. Moema, por exemplo, nem sabe desenhar, mas é mestre na composição de capas de livros que aumentam as vendas das editoras e o prazer dos leitores. É designer, na melhor acepção da palavra.

Para quem quiser saber mais do assunto recomendo o livro “Designer não é personal trainer e outros escritos”.

Bibliografia:
- “Designer não é personal trainer e outros escritos” (Editora Rosari, 2002).
- Artigo do jornal Gazeta Mercantil – Abril 2000 por
Adélia Borges
- www.designbrasil.org.br

Raphael Garcez

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