12 dezembro, 2011 – 3:10 pm | por onaci ricardo
O recém-concluído Grupo Escolar Josephine Baker, desenhado por Dominique Coulon para a cidade de La Courneuve, subúrbio de Paris, faz parte do projeto de revitalização de uma área antes ocupada por conjuntos habitacionais. Em vez de eliminar o passado, o edifício abre-se para um imenso pátio interno, cujo desenho respeita a memória local.
Realizado pelo escritório de arquitetura Dominique Coulon & Associés, seu projeto partiu do traçado urbano prévio e propõe a reorganização da vizinhança a partir da preservação de dois eixos históricos regionais.
Um começa na região central de Paris – na fonte de Saint?Michel – e segue até a catedral da cidade vizinha de St. Denis. O outro vai da mesma igreja até a capela de St. Lucien, no centro de La Courneuve.
Os dois eixos cruzam a área do plano urbanístico do qual faz parte a escola e delimitam um trecho onde o passado se mantém, tanto pela presença das ruínas de um cemitério galo-romano quanto pelo espaço vazio deixado por conjuntos habitacionais da década de 1960, o Ravel e o Presov, demolidos em 2004.

Parte de um plano urbanístico, o Grupo Escolar Josephine Baker localiza-se em La Courneuve, subúrbio de Paris
Integrado às intenções de revitalização, preserva a cicatriz urbana, em vez de ignorá-la, o que definiria um processo irreversível de perda da memória da cidade.
A única exigência do programa apresentado pelo órgão regulador da educação pública local foi que se evitassem blocos fechados.
Por isso – e por conta dos limites de densidade e altura impostos pelas leis do município -, o arquiteto criou um partido com volumes tensionados, que questiona a separação entre escola primária e creche.
“Edifícios escolares parecem ser concebidos como áreas para adultos reduzidas à escala das crianças. Neste projeto, as sequências de caminhos e salas de aulas propõem uma relação diferente entre o corpo da criança e o espaço”, explica Dominique Coulon, autor do projeto.
A proposta, portanto, estabelece uma organização unificada, implantada a partir de dois polos ligados por um sistema de rampas.
As salas de aulas destinadas às crianças que frequentam a creche concentram- se no lado leste do terreno, em um pavimento que está em balanço sobre a entrada, enquanto as classes da escola primária ocupam o setor oeste, com vista para os jardins centrais.O playground das crianças mais velhas funde-se com a área reservada para as mais novas, ao lado de onde está a cantina. Já os setores esportivos ocupam a cobertura do bloco principal, que contém a biblioteca.Por conta dos chanfros e da volumetria assimétrica, a construção parece ser dominada por ambientes fechados, com poucas aberturas. No entanto, todas as salas de aulas, sobrepostas ao terreno, abrem-se para jardins centrais.

Os corredores recebem luz natural de claraboias e se expandem na frente das salas de aulas
Dessa forma, tem-se a impressão de que, pelo exterior, a verticalidade predomina. Mas é o aspecto horizontal que fica mais evidente para quem cruza a entrada do grupo escolar.
“É como se o universo infinito se abrisse para dentro de uma área exclusiva e acolhedora, reservada para as crianças”, avalia o arquiteto.
O interior também propõe surpresas. Na entrada, por exemplo, a volumetria se projeta para dentro, em um movimento de acolhimento.
O espaço tem, ainda, parte do piso feito em vidro, o que serve como elemento de comunicação visual transitório para o momento do dia em que as crianças são separadas de seus pais.
Como zonas de descompressão, os corredores mudam de altura e de largura, e expandem-se na frente das portas das salas de aulas, além de receber luz natural de claraboias.
Finalmente, quando o percurso se encerra, a cobertura do playground amplia-se para além da rampa que leva até as áreas esportivas do último piso. Esse jogo volumétrico, somado ao uso de materiais como linóleo nos pisos e madeira nas portas e janelas, suaviza a robustez do concreto aparente, contraste acentuado pelo laranja que colore o chão e algumas paredes e tetos.

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